quinta-feira, 19 de setembro de 2013

A Pedagogia Surda

Alfabetizar alunos com Culturas diferentes é um choque tanto para o professor ouvinte como para os alunos Surdos, por não entenderem de imediato o complexo lingüístico da língua um do outro.
Não é suficiente conhecer a Língua Brasileira de Sinais para poder atuar eficazmente na escola com o aluno Surdo. É também necessário conhecer a Cultura Surda através da participação e vivência na comunidade Surda, aceitação da diferença e paciência para inteirar–se nela.

Quando o professor for ouvinte e não sinalizador, a presença do Instrutor ou voluntário adulto Surdo é importante para esclarecer aos alunos o que o professor quis dizer e vice-versa.
A Pedagogia Surda tem um sistema educativo próprio, abrangendo sem limite de lugar, podendo ser contempladas através das histórias em Libras e passadas pelos Surdos sinalizadores mais velhos. É informalmente que observamos a evolução gradual da comunicação sinalizada que hoje é respeitada e valorizada pela comunidade Surda Brasileira.

Na educação infantil é importante que a criança surda tenha a oportunidade de interagir na Língua de Sinais com o Instrutor, pois terá o seu desenvolvimento lingüístico de maneira natural.

Quanto aos pais, na maioria ouvinte, é importante que os mesmos também sejam usuário da Língua de Sinais para que a criança seja independente e com essa conquista, ao chegar na fase da adolescência as noções das atividades de conviver entre Surdos e ouvintes já tenha maior esclarecimento e entendimento.

A existência da Associação de Surdos deverá ser entendida como o lugar onde a Comunidade Surda tem sua interação dialógica e transformar em patrimônio de acervo preservação da Língua de Sinais, da Cultura Surda e defesa de Direitos dos Surdos enquanto Cidadão em todas as áreas. É importante que o professor ouvinte conheça a história do próprio espaço, suas atividades e o que contém em beneficio aos Surdos, para elaborar assim o seu material pedagógico que dará inicio nas aulas de História. Começando a enfatizar a importância histórica da Comunidade Surda.

Na visão de minoria lingüística existe um conflito inicial de hábito que sofre uma criança Surda repentinamente trancada entre quatro paredes de uma escola com trajetória apenas oral-auditiva.
A referência é quando vemos que a criança Surda tem uma visão tridimensional do mundo que a cerca devido a sua formação vísuo-espacial.

O professor ouvinte deverá ficar atento, pois tudo em seu comportamento há uma explicação de construção dialógica quanto à questão de língua, cultura e participação real na educação escolar conforme as exigências.
Notaremos que os alunos Surdos sinalizam muito, sem generalizar, só interagem se realmente o professor for conhecedor da Língua de Sinais.

As ações são muito importantes e tem um significado especial, muito mais do que os sinais soltos descontextualizados que poderiam ser muitos e sem significados.

A transformação lingüística da Comunidade Surda está em contínuas mudanças e concomitante a ela também mudam as manifestações culturais e históricas. Se lembrarmos dos sinais que usávamos e verificarmos os que estão em uso, depararemos com novos sinais. É preciso de tempo certo para desenvolver lingüisticamente, hoje existem os empréstimos tanto do Português através do alfabeto manual quanto de outras línguas de sinais, devemos lembrar da proteção da língua, pois quando os empréstimos são sem critérios acaba sendo prejudicial. Neste sentido, há duas tendências uma que procura codificar com registros e a outra que, procura renovar com influências da língua escrita.

Notas Pedagógicas

Para o Surdo há dois tipos de Educação:
. Pedagogia Surda e
. Pedagogia Oral-auditiva

A primeira consideração dá referência ao seu desenvolvimento natural como usuário da língua de Sinais sem interferência da oralidade. Construindo assim a sua Identidade Surda.

Referência maior é o valor da Língua, hoje no Brasil se reconhece a Libras e ainda não temos uma Pedagogia Surda em ação.
O que está faltando?

Enfatizando que seria absurdo colocar um professor que não conhece a fundo a Língua de Sinais e a Cultura Surda para ministrar aula para alunos Surdos.

O Professor deverá observar:

Os acontecimentos do dia – a dia que os alunos trazem e sinalizam no ambiente escolar e dentro da sala de aula;
  1. Os sinais, as histórias, os hábitos que fazem a formação vísuo-espacial, tudo que pertence a Cultura Surda transmitida pela Língua de Sinais, através dos Surdos mais velhos. Um exemplo interessante, que podemos citar, é o da Editora ARARA AZUL Ltda., que está desenvolvendo um trabalho bilíngüe, com apoio inicial da FAPERJ e, atualmente com patrocínio da IBM, através do Projeto COLEÇÃO CLÁSSICOS DA LITERATURA EM LIBRAS/PORTUGUÊS EM CD-ROM, “cuja metodologia utilizada recebeu o nome de TRADUÇÃO CULTURAL e, por ainda não estar totalmente estruturada, a implantação de mecanismos de avaliação do material já produzido passou a ser meta prioritária da Editora, pois pretende dar continuidade ao trabalho de maneira a atender as propostas e necessidades teórico-práticas de todos os envolvidos: Estado, patrocinadores, pesquisadores, professores e, claro especialmente, os SURDOS”, conforme expresso no site da Editora www.editora-arara-azul.com.br).
O Surdo tem a sua própria experiência visual, por mais distante que os professores estejam por serem de experiência oral-auditiva é importante prover de sentimentos, aceitação e aos poucos ir incorporando no seu saber viver Surdo, que assim haverá progresso no objetivo proposto.
Tanto o Professor ou Instrutor Surdo quanto o Professor ouvinte no espaço da Educação de Surdos ambos deverão compreender e compactuar com os valores existentes quanto a Língua de Sinais e assim começar o trabalho pedagógico.

Lembrando da diversidade que poderá estar presente em sua sala de aula com alunos com surdez e mais outra deficiência associada. Para cada aluno devemos ter uma atenção diferenciada quanto a sua especificidade.

As necessidades dos alunos são diferenciadas:

  1. Surdez e Deficiência Visual (Baixa Visão)
  2. Surdez e Deficiência Mental
  3. Surdez e Deficiência Física
  4. Surdez e Distúrbio Neuromotor
  5. Surdocegueira

O trabalho pedagógico requer muita flexibilidade e criatividade dialógica sinalizada, sempre reafirmando a importância da compreensão da cultura Surda existente.
A Pedagogia Oral-auditiva deve ser introduzida como aprendizagem acrescentada e não de substituição. O ensino deve, portanto ser adaptado ao cognitivo do aluno Surdo.
Encontramos atitudes contraditórias com o aluno Surdo, segundo a lógica racionalista. Muitas situações são encontradas em espaço escolar, por exemplo: há necessidade de tempo mais longo para construção e elaboração de idéia passada pelo Professor ouvinte e também pode acontecer com o Professor Surdo.
É necessário ter proximidade de entendimento e passar de forma que pelo menos um dos alunos entenda e permita que este repasse de forma que os demais compreendam. Será importante que o professor entenda que esta atitude faz parte do processo ensino aprendizagem.
O que significa proximidade de entendimento das referências pedagógicas?
Significa quando um aluno líder tem facilidade de captar conhecimentos da Língua Portuguesa, ser bem inteirado na própria Língua de Sinais e Cultura Surda quando esse apóia o Professor ouvinte e até mesmo o Professor Surdo.
Ao captar a mensagem, retransmitir para os demais alunos, não é ser um intérprete, mas deve ser capaz de, ao receber a mensagem, encaixá-la nos moldes da Língua de Sinais. Varias atividades devem ser discutidas anteriormente entre o professor Surdo e o ouvinte quando for necessário.
A transmissão da mensagem deve ressaltar ao fundamento sem se perder nos particulares. O aluno Surdo não está treinado a elucubrar, isto é, ele não exprime idéia de: lugar onde está; tempo que algo sucedeu ou em que faz alguma coisa; modo de ser; estado; sentido ou sentimento, o destino ou o fim de uma ação quando o professor está falando como na percepção racionalizada pelo professor, mas sim intuir (deduzir ou concluir por intuição, ato de ver, perceber, discernir, percepção clara e imediata, pressentimento pelas ações que capta do professor.). Por isso a mensagem deve acontecer através da apresentação de um fato conhecido.
Devemos ter conhecimento e compreensão do modo de pensar em uma visão abstrata. Muita atenção ao jeito de comunicar a mensagem, evitando impor ou forçar a consciência de ouvinte com um surdo.
É importante observar se o professor está ocupando todo o seu tempo explicando as aulas não dando tempo para o aluno elaborar, construir o que esta sendo exposto. É preciso entender que a mesma quantidade de tempo que o professor expõe sua aula deverá ser alternado com a participação dos alunos, colocando–se assim num plano de igualdade e respeito.

Não é fácil no início provocar um diálogo com os alunos Surdos sinalizadores se o Professor ouvinte não for sinalizador, isto é, usuário da língua de sinais, porém o ensino é processual e essa participação dos alunos a comentar com o professor o que está aprendendo só virá com o tempo.
Outro ponto em que a criatividade do professor se manifesta, é no fato de encontrar várias atividades concretas que não somente desperte o interesse e a atenção dos alunos mas o levem a se conscientizar que o aprender não é simplesmente teórico, mas o que se aprende na escola serve para uso em sua vida cotidiana lá fora.
Não adianta teimar no modelo da Pedagogia Oral-auditiva. Desde que o professor entre para a Pedagogia Surda, ele necessita inserir como se diz o ditado popular “de corpo e alma” na Educação de Surdo buscando o modelo com os usuários da Língua de Sinais mais experientes e manter o ensino do valor da preservação cultural.
É necessário que oportunize um período de adaptação passando primeiramente pelo conhecimento que os alunos trazem de casa e a participação dos familiares será de grande valia. A referência pedagógica se constrói através da comunidade em que vive, para aproximação gradativa das demais realidades, fazendo desenhos, teatro, modelagens e usando o exemplo do próprio Instrutor para fazer os primeiros textos na própria língua de sinais para depois na escrita.

Dificuldades dos professores ouvintes não usuários da Língua de Sinais:
  1. Formação cultural oral-auditiva
  2. Língua natural diferente e
  3. Falta de conhecimento da cultura Surda
Facilitador em Sala de Aula

É necessário que as aulas sejam previamente planejadas, se tiver dúvida antes de aplicar recorra a um Professor Surdo ou liderança Surda da comunidade próxima da escola em que está atuando.
Se há necessidade, o professor ouvinte poderá permitir que os alunos discutam em língua de sinais determinado conteúdo até o tempo determinado para chegarem numa conclusão. Na sala de aula, o professor não deverá privilegiar o líder ou monitor, isso provocaria distanciamento e diminuiria a eficiência daquilo que ele fizer.

NOTA: Este texto; ainda não apresentado na forma impressa, disponibilizado a partir de Outubro/2004 em www.editora-arara-azul.com.br, resultante de registros e reflexões da Professora Shirley Vilhalva - Técnica do CAS/SED/MS e Coordenadora Estadual do PNAES/MEC/FENEIS/SED/CAS/MS - sobre vivencias em Escola de Surdo e demais atendimentos de 1984 a 2004, inclusive apoio aos Projetos de Atendimento ao Índio Surdo e de Atendimento ao Surdocegueira e Múltiplo Deficiente Sensorial; foi apresentado, em 28 de setembro de 2004, pela própria autora em Palestra proferida no "I Congresso do Centro de Referência de Estudos da Infância e da Adolescência - CREIA" - UFMS- Campus de Corumbá / MS - CREIA/UFMS / Fone: + 55 - 67 - 2346850
E-mails: creia@ceuc.ufms.br ou svilhalva@brturbo.com.br
Av. Rio Branco, 1270 / CEP: 79.304-020 Corumbá / MS – Brasil .
Este texto, de autoria da Professora SHIRLEY VILHALVA, pode ser reproduzido, livremente com fins educacionais, desde que seja citada a autoria e a fonte de consulta www.editora-arara-azul.com.br.

Comunicação total


O insucesso do Oralismo deu origem a novas propostas em relação á educação da pessoa surda. A abordagem que surgiu por volta de 1970 foi chamada de Comunicação Total.
Nessa abordagem educacional foi permitida a prática de uma série de recursos: língua de sinais, leitura orofacial, utilização de aparelhos de amplificação sonora, alfabeto digital. Os estudantes surdos poderiam então expressar-se da maneira que achassem mais conveniente.

o português sinalizado produzia certa confusão para o aluno surdoO objetivo era que a criança pudesse se comunicar com todos: familiares, professores, surdos, ouvintes, e assim não sofresse consequências do isolamento que a surdez proporciona. A surdez então não era entendida como patologia, mas como um fenômeno com significações sociais.

Poderiam ser utilizados os sinais da língua de sinais da comunidade surda assim como sinais gramaticais modificados. Assim, tudo que era falado poderia ser acompanhado de elementos visuais. A intenção também era facilitar a aquisição da língua oral e da leitura e escrita. 

Os alunos então utilizavam os sinais em contato com outros surdos fluentes. Nos ambientes escolares o uso dos sinais ocorria, porém, obedecendo à estrutura da Língua Portuguesa. Eles chamavam essa estratégia de “português sinalizado”. Mesmo com a pretensão de facilitar a aprendizagem, o português sinalizado produzia certa confusão para o aluno surdo.

Em relação ao Oralismo, a Comunicação Total trouxe benefícios, fazendo com que houvesse melhora na comunicação dos surdos. Entretanto, verificaram-se alguns problemas em relação à comunicação fora da escola. As dificuldades escolares continuaram. Alguns casos bem sucedidos, mas a maioria com resultados acadêmicos muito abaixo do esperado.

Entre os surdos era possível desenvolver a língua de sinais propriamente dita, e nos ambientes escolares havia um misto de sinais e língua oral.
Então, estudos sobre a língua de sinais foram cada vez mais apontando para propostas educacionais alternativas que orientavam para uma educação bilíngue.



Fonte: PORTAL EDUCAÇÃO - Cursos Online : Mais de 1000 cursos online com certificado 

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Gestuno

Origens do gestuno (pronuncia-se Guestuno)


O gestuno é a língua de sinais internacional é uma língua inventada que difundiu a Federação mundial de surdos em 1951. Em 1973 um comitê criou um sistema standard de sinais internacionais. Trataram de eleger os sinais que melhor se entendiam de várias línguas de sinais para criar uma língua fácil de aprender.
A comissão publicou um livro com uns 1500 sinais. Não tinha uma gramática concreta pelo que muitos dizem que não é uma língua real.
O nome vem do italiano e significa: união das línguas de sinais. Alguns surdos utilizaram esta língua nos Jogos Mundiais para surdos a Conferência de surdos e o Festival de Washington DC mas obviando estas situações seu uso é muito reduzido.
A necessidade de comunicar-se é universal. Para as pessoas surdas a necessidade de comunicação vai unida aos sinais por isso existem tantas línguas de sinais no mundo como línguas orais cada uma delas tem um "acento" ou uns dialetos. Cada língua de sinais é um reflexo do passado na cultura que se desenvolveu e os costumes de sua sociedade.
O que você faria se quiser que lhe entendam pessoas surdas de cada canto do mundo? Pois criar uma língua de sinais internacional que todos possam aprender e entender.
Em 1951 em uma reunião da Federação mundial de surdos se discutiu a idéia de unificar as línguas de sinais (www.handspeak.com). Se deram conta que ter centenas de intérpretes em cada evento não era viável. Assim que no ano de 73 se nomeou ao comitê que criaria e divulgaria a língua de sinais internacional. A comissão de unificação de sinais escreveu um livro com uns 1500 sinais que eram escolhidos de outras línguas de sinais ou inventados a esta língua se chamou gestuno. O nome é italiano e quer dizer algo assim como: unidade das línguas de sinais.
Na Federação Mundial do surdo tem duas línguas oficiais: inglês e francês e todos os seus documentos e correspondência se escreve nestes idiomas. O gestuno se utiliza dentro da oficina e nas assembléias gerais ainda que não se saiba a ciência certa se todos conhecem esta língua. Dentro da oficina o uso do gestuno também está limitado. Os membros com um conhecimento amplo são capazes de expressar princípios muito concretos e idéias abstratas. O gestuno se segue utilizando nos Jogos Mundiais para surdos, na Conferência de surdos e no Festival de Washington, mas a parte destas atividades seu uso é muito restringido.
A idéia de criar uma língua de sinais unificada não foi tão prolífica como esperava a Comissão o mesmo passou com o esperanto. Não houve muitas pessoas capazes de aprender esta nova língua. E com os dispositivos de tradução tão desenvolvidos que existe hoje em dia e o profissionalismo dos tradutores internacionais quem iria querer estudar uma língua inventada?

Pricipios do gestuno


Agora vamos apresentar alguns princípios que se devem utilizar para a comunicação internacional com gestuno (IG). Não podemos esquecer que o IG não é uma língua e sim um sistema de comunicação negociado, assim que devemos ser flexíveis. As línguas refletem uma cultura, por isso os sinais devem ser escolhidos de maneira que se aproximem o máximo a realidade cultural que representam. O gesto para Abraham Lincoln é: mão esquerda [A], a orientação da palma [PO] em direçao abaixo, a orientação dos dedos [FO] em direção a fora, a mão direita [L], PO para baixo, FO para fora, como a estatua comemorativa de Lincoln e C mostrando seu chapéu de copa. Todos conhecemos a Lincoln por suas fotos e seu chapéu de copa. O que nos indica que se alguém não viu nunca as fotos de Lincoln, nem sabe quem é, nenhum gesto destes vai lhe dar a clave. Em todas as línguas é necessário manter aberto o canal e dar-se conta de que a outra pessoa compreende o que você diz, por issose tem que estar pendentes dos interlocutores. O gestuno é uma língua que faz com que muitos a compreendam e outros não.
Uma série de idéias organizadas é melhor que muitas repetições, mas o "falante" terá que decidir quando deve esclarecer alguma coisa. Os sinais costumam utilizar metonimias, quer dizer, que as línguas de sinais selecionaram parte do objeto para um sinal. Para dizer: cirugía, deves mostrar várias partes do objeto, como a mesa de operações, o paciente, o doutor... Mas, por outro lado, se só se mostra uma parte de um objeto, se deveria descrever toda a situação para chegar ao ponto que se tenta explicar, por exemplo o paciente do cirurgião. Você tem que lembrar de mostrar as três dimensões do objeto, o peso, a largura e a profundidade da televisão são mais importantes, que mostrar uma tela plana. Não repita várias vezes o que você já disse e não trate de dar mais informação se você recebe a informação de que a idéia já está compreendida. Não seja tímido: interprete tudo o que necessite e mostre todos os passos para este processo.
Os sinais podem tratar de qualquer objeto, por exemplo uma caixa, ou podem ser mais específicos e especificar seu tamanho ou qualidades. É possível que necessite utilizar de diferente forma oo espaço dependendo de quanto você queira especificar. Também pode utilizar o alfabeto datilológico, utilizando só uma mão como na língua de sinais estadounidense. A letra "t" se faz de outra maneira porque em algumas culturas parece ser um sinal obsceno. O "t" é muito parecido ao "f" da língua de sinais estadounidense, mas com o polegar cruzado ou com o polegar e o dedo índicador cruzados e os demais dedos apoiados na palma. O "m" e o "n" também se representam com os dedos esticados e a mão a vista, de forma que fique claro quantos dedos estão extendidos. É possível que a audiência tenha um alfabeto muito diferente ao que você está utilizando; você deve ser consciente disso e por esta razão soletrar devagar e de maneira clara. Se você conhece o alfabeto com o que se manipula a sua audiência, podería utilizar-lo para facilitar a compreenssão. Quando se mantem uma conversação que as duas pessoas implicadas utilizam alfabetos diferentes, a conversação é mais fluida se cada um utiliza o alfabeto que conhece o outro.
Os números varíam muito dependendo das línguas de sinais. O gestuno expressa os números da seguinte maneira. Todos os números se realizam com a orientação da palma para fora e com os dedos para cima. O zero se representa as vezes como um "O" e as vezes como um "F", pela forma redondeada que se forma ao unir o dedo índicador e o polegar. Os números do 1 ao 5 se representam levantando o dedo indicadore e adicionando primeiro o dedo anular, (os falantes de língua de sinais estadounidense, representan o "W" de forma parecida, juntando o dedo minguinho ao polegar) depois o polegar se desvía em direção aos quatro dedos e se baixa, e finalmente se mostram os 5 dedos. Do 6 ao 10 se representa adicionando dedos ao NDH com a soma do 5 na DH. Se um número é maior que 10, se representa primeiro o 1 e depois o 0, assim "548" será: cinco-quatro-oito; os sinais vão se representando primeiro na mão direita e depois na esquerda (se não considerarmos as pessoas com alguma dificuldade), isto facilita muito a leitura dos mesmos. As datas não levam pantos, assim que "1462" sería: um-quatro-seis-dois. Se deve ter um certo cuidado com algumas representações já que muitas línguas de sinais utilizam diferentes representações para os mesmos conceitos.

O gestuno utiliza os sinais das línguas de sinais indígenas de cada país para representar esse país, assim o sinal para representar Noruega será o que se utilize nesse país, etc. Antes de realizar o sinal se existe a probabilidade de que a audiência não entenda a que país, cidade, região, provincia, etc, se refere o falante, se resume o que explique os diferentes lugares, para evitar dificuldades.

As línguas de Sinais no mundo

A seguir lhe mostramos as Línguas de sinais que se falam em todo o mundo. Esta lista contém 177 elementos, entre os que incluimos os dialétos mais importantes das Línguas de sinais de todo o mundo.

Língua de sinais de Adamarobe: Ghana
Língua de sinais argelina: Argelia, Marrocos
Língua de sinais amerindia: Língua de sinais de Indios das llanuras de Estados Unidos
Língua de sinais estadounidense, de Canadá, de Benín, de Botsuana, de Burkina Faso,
de Burundi, da República Centroafricana, de Chad, de Etiopía, de Gabón, de Ghana,
de Guinea, de Hong Kong, de Costa de Marfil, de Jamaica, de Kenia, de Madagascar, de Malí,
de Mauritania, de Nigeria, de Filipinas, de Puerto Rico, de Singapura, do sul de
África, de Tanzania, de Togo, de Uganda, de Zaire, de Zimbabue.
Língua de sinais amean: Língua de sinais estadounidense
Língua de sinais monástica anglosajona: Gran Bretaña.
Língua de sinais de Aranda, dialéto de aborígenes australianos. Língua de sinais de Australia
Língua de sinais de Argentina: Argentina
Língua de sinais armenia: Armenia
Língua de sinais arunta: Aranda Língua de sinais: o dialéto de aborígenes australianos, Língua de sinais: Australia
Língua de sinais: França, Gran Bretania
Língua de sinais: Língua de sinais australiana
Língua de sinais australiana-zelandesa: Língua de sinais australiana e Língua de sinais de Nova Zelandia.
Língua de sinais de aborígenes australianos : Australia
Língua de sinais austríaca: Austria
Língua de sinais malasia: Malasia Kod Tangan de Malasia de Bahasa
Língua de sinais de Bali: Indonesia
Língua de sinais de Bamako: Malí
Língua de sinais Ban Khor : Tailandia
Língua de sinais de Bangalore - Madras, dialéto de Língua de sinais indio: India
Língua de sinais de Bangkok (original) (morta): Tailandia
Língua de sinais belga: na Bélgica existem dois dialétos, holandeses (flamencos e do norte da Bélgica) e franceses (do sul da Bélgica). os nomes de suas Línguas de sinais são: holandesa e Língua de sinais francesa, respectivamente.
Língua de sinais de Beluchistán o dialéto de Língua de sinais de Indo - Pakistão: Pakistão
Língua de sinais benedictina: mundial, mas especialmente França, Gran Bretania, USA
Língua de sinais bengalí: Bangladesh
Língua de sinais de Berna o dialéto de Língua de sinais suiço - alemão: Suiça
Língua de sinais estadounidense: dialéto de Língua de sinais estadounidense: Estados Unidos
Língua de sinais do sul negro: Língua de sinais estadounidense negro
Língua de sinais boliviana: Bolivia
Língua de sinais de Bolonia, dialéto de Língua de sinais italiano: Italia
Língua de sinais de Bombay, dialéto de Língua de sinais india: India
Língua de sinais brasileira: Brasil
Língua de sinais britânica: Gran Bretania
Língua de sinais búlgara: Bulgaria
Língua de sinais das escolas de Língua de sinais irlandesas antigua: Irlanda
Língua de sinais de Calcuta, dialéto de Língua de sinais hindú: India
Língua de sinais canadiense: Canadá
Língua de sinais de Canon: Língua de sinais augistiana (Língua morta)
Língua de sinais catalana: España
Língua de sinais caucásica: Língua de sinais de mulheres armenias (Língua morta)
Língua de sinais chadiana: chad
Língua de sinais de Chiangmai, dialéto de Língua de sinais tailandesa: Tailandia
Língua de sinais Chiangmai (original) (Língua morta): Tailandia
Língua de sinais chilena: Chile (Língua de Sepas Chilena)
Língua de sinais china: China, Taiwán
Língua de sinais cisterniana
Dialétos:
St. Joseph: Estados Unidos
Cluny (Clunaic): França
Língua de sinais colombiana: Colombia
Língua de sinais do inglês (Case) Língua de sinais exacta, Língua franca: Estados Unidos
Língua de sinais congoleña: Zaore
Língua de sinais de Córdoba: dialéto de Língua de sinais de Argentina: Argentina
Língua de sinais costarricense: Costa Rica
Língua de sinais cubana: Cuba
Língua de sinais cue: Estados Unidos, Australia e outros países
Língua de sinais danesa: Dinamarca
Língua de sinais de Delhi: dialéto de Indo - Pakistaní, Língua de sinais hindú.
Língua de sinais alemana, Gebdrdensprache : Alemanha
Língua de sinais de Dieri, dialéto de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais de Djingili, dialéto de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais dominicana: República Dominicana
Língua de sinais holandesa: Países Bajos.
Língua de sinais ecuatoriana: Equador
Língua de sinais egipcia: Egito
Língua de sinais de El Paso Gang: Estados Unidos
Língua de sinais salvadoreña: El Salvador
Língua de sinais enga: Papúa Nova Guinea
Língua de sinais esquimal: Canadá
Língua de sinais estonia: Estonia
Língua de sinais etíope: Etiopía
Língua de sinais de Filipinas: Filipinas
Língua de sinais finlandesa: Finlandia
Língua de sinais flamenca = holandesa ( norte de Bélgica) dialéto de Língua de sinais belga: Bélgica
Língua de sinais de Florencia, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais canadiense (francês): Canadá
Língua de sinais francesa: França, Suiça, Togo, Vietnam
Língua de sinais de Ginebra, dialéto de Língua de sinais suiço - francesa: Suiça
Língua de sinais de Genova, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais alemana: Alemanha.
Gestuno: Língua de sinais internacional
Língua de sinais de Ghana: Ghana
Língua de sinais griega: Grecia
Língua de sinais guatemalteca: Guatemala
Língua de sinais guineana: Guinea
Língua de sinais de Haiphong: Vietnam
Língua de sinais de Hanoi: Vietnam
Língua de sinais harem: Turquía / Imperio Otomano
Língua de sinais hausa: Nigeria
Língua de sinais franca de Hawai : EEUU
Língua de sinais do baile hindú: India
Língua de sinais Ho Chi Minh : Vietnam
Língua de sinais da escuela de Holmestrand, dialéto de Língua de sinais noruega: Noruega
Língua de sinais de Hong Kong: China
Língua de sinais húngara: Hungría
Língua de sinais islandesa: Islandia
Idioma de sinais nicaragüense: Nicaragua
Língua de sinais hindú: India
Língua de sinais hindo-paquistaní: India, Pakistán
Língua de sinais indo: Língua de sinais persa: Irán
Língua de sinais irlandesa: Irlanda
Língua de sinais irlandesa: Irlanda
Língua de sinais turca y Língua de sinais seraglio (Imperio Otomano): Turquía
Língua de sinais israelí: Israel
Ixarette: Língua de sinais seraglio : Turquía (Imperio Otomano)
Língua de sinais ixtapalapa, dialéto da Língua de sinais mejicana: México
Língua de sinais jamaicana: Jamaica
Língua de sinais japonesa: Japão
Língua de sinais jaralde, dialéto da Língua de sinais de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais jordana: Jordania
Língua de sinais de Karachi, dialéto de Língua de sinais Indo - Pakistaní: Pakistán
Kata Kolok: Língua de sinais de Bali: Indonesia
Língua de sinais keniata: Kenia
Língua de sinais coreana: Corea do Sul
Língua de sinais de Kuala Lumpur: Malasia (peninsular)
Langage Gestuelle: Língua de sinais suiço - francesa: Suiça
Langue des Signes Française = Língua de sinais francesa: França
Langue des Signes Quibicois = Língua de sinais canadiense francesa: Canadá
Língua de sinais daoí: Laoí
Língua de sinais latvia: Letonia
Lautbegleitende Gebdrden: sinais acompanhados por sons: Alemanha
Lautsprachbegleitendes Gebdrden: sinais acompanhados por discurso: Suiça
Língua de Sepas Chilena: Língua de sinais chilena: Chile
Língua de Sepas Cubanas: Língua de sinais cubana: Cuba
Língua de Sepas Panamepas: Língua de sinais panameña: Panamá
Língua de Sepas Venezolana: Língua de sinais venezolana: Venezuela
Lenguaje de Sepas Mexicanas: Língua de sinais mexicana: México
Lenguaje de Sepas Uruguayo: Língua de sinais uruguaya: Uruguay
Lenguaje de sinais Nicaraguense: Língua de sinais nicaragüense: Nicaragua
Lenguaje Gestual Español: Língua de sinais espanhola: España
Lenguaje manual de Colombia, Língua de sinais colombina: Colombia
Lenguaje mímico español: Língua de sinais espanhola: España
Lenguaje mímico maya, Língua de sinais maya: México
Língua de sinais libia: Libia
Língua de Sinais Brasileira: Língua de sinais brasileira: Brasil
Lingua dei Segni Italiana: Língua de sinais italiana: Italia
Lingua Gestual Portuguesa: Língua de sinais portuguesa: Portugal
Linguagem das Myos: Língua de sinais brasileira: Brasil
Lingüística da linguagem visual: Estados Unidos
Lingwi tas - Sinjali Maltin maltes: Língua de sinais: Malta
Língua de sinais de Lisboa, dialéto de Língua de sinais portuguesa: Portugal
Língua de sinais lituana: Lituania
Língua de sinais de Lyons: França
Língua de sinais de Macao: China (Macao)
Maganar Bebaye: Língua de sinais de Nigeria
Maganar Hannu: Língua de sinais de Nigeria
Vocabulario makaton: Gran Bretania
Língua de sinais malasia: Malasia (peninsular)
Língua de sinais de Malí: Malí
Língua de sinais maltesa: Malta
Língua de sinais manjiljarra, dialéto de aborígenes australianos: Língua de sinais de Australia
Língua de sinais de Marsella, dialéto de Língua de sinais francesa: França
Língua de sinais marítima, Nova Escocia : Canadá
Língua de sinais de Martha's Vineyard (Língua morta): Estados Unidos
Língua de sinais de Masvingo, dialéto de Língua de sinais de Zimbabue: Zimbabue
Língua de sinais maya: México
Língua de sinais mejicana: México
Migany Jezyk Polski: Língua de sinais polaca: Polonia
Língua de sinais de Milán, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Mímico Español: Língua de sinais espanhol
Língua de sinais monástica, ver:
Língua de sinais monástica anglosajona
Língua de sinais augustiana
Língua de sinais benedictina
Língua de sinais cisterniana
Língua de sinais de clausura
Língua de sinais mongol: Mongolia
Língua de sinais de Montevideo, dialéto uruguayo: Língua de sinais uruguaya
Língua de sinais marroquí: Marrocos
Sistema de sinais de morfemas: Estados Unidos
Língua de sinais de motocicleta: Estados Unidos
Língua de sinais de Mozambique: Mozambique
Língua de sinais mudbura, dialéto de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais mumbai, Língua de sinais de Bombay: India
Língua de sinais murgin, dialéto de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais namibia: Namibia
Língua de sinais de Nápoles / Palermo, dialéto de Língua de sinais italiano: Italia
Americanos nativos das llanuras, Língua de sinais dos indios de Estados Unidos
Natorliche Gebdrde, Língua de sinais suizo - alemanha: Suiça
Língua de sinais nepalí: Nepal
Língua de sinais de Neuchatel, dialéto de Língua de sinais suiço - francesa: Suiça
Língua de sinais novo celandesa: Nova Zelandia
Língua de sinais Ngada: dialéto de aborígenes australianos: Australia
Língua de sinais nicaragüense: Nicaragua
Língua de sinais nigeriana: Nigeria
Língua de sinais japonesa, Syuwa Nihon: Japão
Norsk Tegnsprek, Língua de sinais noruega: Noruega
Língua de sinais dos indios norteamericanos: Estados Unidos
Língua de sinais belga: Bélgica
Língua de sinais de provincias fonterizas, Língua de sinais de Indo - Pakistaní: India
Língua de sinais noruega: Noruega.
Língua de sinais de Canadá
Língua de sinais do irlandês antiguo: Irlanda
Língua de sinais ketish antiguo (Língua muerta): Gran Bretaña
Língua de sinais de Oporto, dialéto de Língua de sinais portuguesa: Portugal
Língua de sinais de Bangkok original (Língua morta): Tailandia
Língua de sinais chiangmai (Língua muerta): Tailandia
Língua de sinais da escuela de Língua de sinais, dialéto de Língua de sinais noruega: Noruega
Língua de sinais de Padua, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais Paget - Gorman: Gran Bretania
Língua de sinais de Pakistao: Pakistão
Paleno: international
Língua de sinais palestina: Palestina
Língua de sinais panameña: Panamá
Língua de sinais de Penang: Malasia (peninsular)
Língua de sinais persa: Irán
Língua de sinais peruana: Perú
Língua de sinais filipina: Filipinas
Língua franca de sinais de Estados Unidos
Língua de sinais india de Estados Unidos.
Língua de sinais polaca: Polonia
Língua de sinais portuguesa: Portugal (Língua Gestual Portuguesa)
Língua de sinais de Providencia: Colombia
Língua de sinais puertoriqueña: Porto Rico
Língua de sinais de Punjab / Sind el dialéto de Língua de sinais de Indo - Pakistaní: India
Língua de sinais de Quebec, Língua de sinais canadiense francesa: Canadá
Língua de sinais rennellese: Língua de sinais Solomon
Língua de sinais rumana: Rumania
Língua de sinais de Roma, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais rusa: Rusia, Bulgaria
Língua de sinais de Saigón, Língua de sinais de Ciudad Ho Chi Minh: Vietnam
Língua de sinais de Salto, dialéto da Língua de sinais uruguaya: Uruguay
Língua de sinais salvadoreña, Língua de sinais de El Salvador
Língua de sinais de Sao Paulo, dialéto de Língua de sinais brasileira: Brasil
Língua de sinais saudita: Arabia Saudita
Língua de sinais sawmill: Canadá, los Estados Unidos
Língua de sinais franca escandinava: Dinamarca, Finlandia, Noruega, Suecia
Língua de sinais do submarinismo: Língua de sinais do submarinismo de Estados Unidos
Língua de sinais visual inglesa: Estados Unidos
Língua de sinais visual polaca: Polonia
Língua de sinais seraglia: Turquía / Imperio Otomano
Língua de sinais serbia, dialéto da Língua de sinais yugoslava: Yugoslavia
Língua de sinais de Shangai, dialéto de Língua de sinais chinesa: China, Singapur
Língua de sinais japonesa: Japão
Língua de sinais de Siena, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais de Países Bajos: Língua de sinais holandesa: Países Bajos
Língua de sinais holandesa: Países Baixos
Língua de sinais de Gran Bretania
Língua de sinais urdu: Pakistão
Língua de sinais daneses: Dinamarca
Língua de sinais inglesa: Estados Unidos
Língua de sinais francesa: França
Língua de sinais alemana: Alemanha
Língua de sinais sueca: Suecia
Língua de sinais inglesa: Estados Unidos, Singapur
Língua de sinais polaca: Polonia
Língua de sinais de Singapur: Singapur
Língua de sinais yugoslava
Língua de sinais sul africana: Africa do Sul.
Língua de sinais belga: Bélgica
Língua de sinais francesa: Língua de sinais de Marsella, dialéto da Língua de sinais francesa: França
Língua de sinais espanhola: Espanha
Língua de sinais alemaã: Alemanha
Língua de sinais ceilandesa: Sri Lanka
Língua de sinais sueca: Suecia.
Língua de sinais suizo - francesa: Suiça
Língua de sinais suizo - alemana: Suiça
Língua de sinais suizo - italiana: Suiça
Língua de sinais de Tainán, dialéto de Língua de sinais chino taiwanesa (Taiwán)
Língua de sinais de Taipei: dialéto de Língua de sinais chino taiwanesa (Taiwán)
Língua de sinais taiwanesa: China (Taiwán)
Língua de sinais de Tak, dialéto de Língua de sinais tailandesa: Tailandia
Língua de sinais tanzana: Tanzania
Língua de sinais japonesa: Japão
Língua de sinais tailandesa: Tailandia
Língua de sinais de aborígenes australianos: Australia
Trapense: Língua de sinais mundial, mas especialmente França, Gran Bretania e Estados Unidos
Língua de sinais de Trieste, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais de Trondheim, dialéto de Língua de sinais noruega: Noruega
Língua de sinais tunecina: Túnez
Língua de sinais de Turín, dialéto de Língua de sinais italiana: Italia
Língua de sinais turca: Turquía
Língua de sinais ugandesa: Uganda
Língua de sinais ucraniana: Ucrania
Língua de sinais submarina de Estados Unidos
Urubi - Kaapor: Língua de sinais do Brasil
Língua de sinais uruguaya: Uruguay
Língua de sinais venezuelana: Venezuela (Língua de Sepas Venezolana)
Língua de sinais vietnamita: Vietnam
Viittomakieli: Língua de sinais finlandesa
Walpari, Língua de sinais de aborígenes australianos, Língua de sinais de Australia
Warumungu , Língua de sinais de aborígenes australianos: Língua de sinais de Australia
Língua de sinais gala, dialéto da Língua de sinais britânica: Gran Bretania
Língua de sinais de aborígenes australianos, Língua de sinais de Australia
Worldsign: Língua de sinais international
Língua de sinais worora, dialéto de aborígenes australianos, Língua de sinais de Australia
Língua de sinais judia: Israel
Língua de sinais de Yucatán, Língua de sinais maya: México
Língua de sinais yugoslava
Yurira Watjalku: Língua de sinais do desierto occidental
Língua de sinais zambiana: Zambia.
Língua de sinais de comunidade de Zimbabue, dialéto de Língua de sinais de Zimbabue: Zimbabue
Língua de sinais da escuela de Zimbabue, dialéto de Língua de sinais de Zimbabue: Zimbabue
Língua de sinais de Zimbabue: Zimbabue
Zimsign: Língua de sinais de Zimbabue
Ziran Shouyu: Língua de sinais taiwanesa
Língua de sinais de Zurich, dialéto da Língua de sinais suiço - alemanha: Suiça

As línguas de Sinais

Uma língua de sinais (português brasileiro) ou língua gestual (português europeu) é uma língua que se utiliza de gestos, sinais e expressões faciais e corporais, em vez de sons na comunicação. As línguas de sinais são de aquisição visual e produção espacial e motora. São as línguas naturais de cada comunidade de Surdos, ao redor do globo. Há no mundo muitas línguas de sinais usadas como forma de comunicação entre pessoas surdas ou com problemas auditivos. Muitas delas receberam reconhecimento oficial em vários países.

As línguas de sinais no Mundo

Assim como entre os idiomas falados, é grande a variedade de línguas de sinais ao redor do mundo.
Muitos linguistas se dedicaram a estudar diferentes línguas gestuais, concluindo que estas apresentavam diferenças consideráveis entre si. Deve-se levar em conta que diferenças culturais são determinantes nos modos de representação do mundo. Assim, os surdos sentem as mesmas dificuldades que os ouvintes quando necessitam comunicar com outros que utilizam uma língua diferente. 1
Cada país tem a sua própria língua gestual. Tomando como exemplo alguns países lusófonos, vemos que utilizam diferentes línguas de sinais: no Brasil existe a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), em Portugal existe a Língua Gestual Portuguesa (LGP), em Angola existe a Língua Angolana de Sinais (LAS), em Moçambique existe a Língua Moçambicana de Sinais (LMS).
Além disso, da mesma forma que acontece nas línguas faladas oralmente, existem variações linguísticas dentro da própria língua de sinais, isto é, regionalismos e/ou sotaques. Essas variações se devem a ligeiras diferenças culturais e influências diversas no sistema de ensino do país, por exemplo. Há, inclusive, uma língua de sinais pretensamente universal, análoga ao Esperanto, conhecida como Gestuno, que é usada em convenções e competições internacionais.
Não se sabe quando as línguas de sinais se iniciaram, mas sua origem remonta possivelmente à mesma época ou a épocas anteriores àquelas em que foram sendo desenvolvidas as línguas orais. Uma pista interessante para esta possibilidade das línguas de sinais terem se desenvolvido primeiro que as línguas orais é o fato que o bebê humano desenvolve a coordenação motora dos membros antes de se tornar capaz de coordenar o aparelho fonoarticulatório. As línguas de sinais são criações espontâneas do ser humano e se aprimoram exatamente da mesma forma que as línguas orais. Nenhuma língua é superior ou inferior a outra, cada língua se desenvolve e expande na medida da necessidade de seus usuários.
Também é comum aos ouvintes pressupor que as línguas de sinais sejam versões sinalizadas das línguas orais; por exemplo, muitos acreditam que a LIBRAS é a versão sinalizada do português; que a Língua Americana de Sinais é a versão sinalizada do inglês; que a Língua Japonesa de Sinais é a versão sinalizada do japonês; e assim por diante. No entanto, embora haja semelhanças ou aspectos comum entre as línguas de sinais, devido a um certo contágio linguístico, as línguas de sinais são autónomas, não derivando das orais e possuindo peculiaridades que as distinguem umas das outras e das línguas orais.
A língua de sinais é tão natural e tão complexa quanto as línguas orais, dispondo de recursos expressivos suficientes para permitir aos seus usuários expressar-se sobre qualquer assunto, em qualquer situação, domínio do conhecimento e esfera de atividade. Mais importante, ainda: é uma língua adaptada à capacidade de expressão dos surdos.

Alfabeto dactilológico

A difusão do alfabeto dactilológico de uma só mão entre os ouvintes gerou a pressuposição de que esse alfabeto é a própria língua de sinais, que há uma única língua de sinais e que essa língua é universal. No entanto, o alfabeto dactilológico é apenas um suplemento das línguas de sinais, cuja função é a soletração de palavras das línguas orais, tais como, nomes próprios, siglas, empréstimos, etc.
De acordo om o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), o alfabeto dactilológico usado atualmente no Brasil é um conjunto de 27 formatos, ou configurações diferentes de uma das mãos, cada configuração correspondendo a uma letra do alfabeto do português escrito, incluindo o “Ç”.
É muito aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas, é melhor fazer uma pausa curta ou mover a mão direita para o lado esquerdo, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado. Normalmente o alfabeto manual é utilizado para soletrar os nomes de pessoas, de lugares, de rótulos, etc., e para os vocábulos não existentes na língua de sinais.
Os sinais de pontuação, tais como, vírgulas, ponto final e de interrogação, às vezes, são desenhados no ar. Preposições e outras classes de palavras de que a língua não dispõe são inseridas na sinalização por meio da dactilologia, ou do alfabeto manual.

Línguas de sinais e línguas orais

Ao falarmos em língua de sinais estamos a referir-nos a língua materna/natural de uma comunidade de surdos, isto é, uma língua de produção manuo-motora e de recepção visual, com vocabulário e gramática próprios, não dependente da língua oral, usada pela comunidade surda e alguns ouvintes, tais como parentes de surdos, intérpretes, professores e outros.

Aspectos comuns

  • Arbitrariedade: As línguas orais são maioritariamente arbitrárias, não se depreende a palavra simplesmente pelo sua representatividade, mas é necessário conhecer o seu significado. A iconicidade encontra-se presente nas línguas de sinais, mais do que nas orais, mas a sua arbitrariedade continua a ser dominante. Embora, nas línguas de sinais, alguns gestos sejam totalmente icónicos, é impossível, como nas línguas orais, depreender o significado da grande maioria dos sinais, apenas pela sua representação.
  • Comunidade: As línguas orais têm uma comunidade que as adquirem, como língua materna, cujo desenvolvimento se faz através de uma comunidade de origem, passando pela família, a escola e as associações. Todas as línguas orais têm variações linguísticas. Todas as línguas gestuais possuem estas mesmas características.
  • Sistema linguístico: As línguas orais são sistemas regidos por regras. O mesmo acontece com as línguas de sinais, conforme referenciado por Stokoe (1960).
  • Produtividade: As línguas orais possuem a características da produtividade e da recursividade, sendo possível aos seus falantes nativos produzirem e compreenderem um número infinito de enunciados, mesmo que estes nunca tenham sido produzidos antes. Acontece o mesmo com as línguas de sinais, sendo encontradas a criatividade e produtividade nas produções, por exemplo, da LGP, pelos seus gestuantes nativos, parecendo não haver limite criativo.
  • Aspectos contrastivos: As línguas orais possuem aspectos contrastivos, isto é, as unidades fonológicas do sistema de determinada língua estabelecem-se por oposições contrastivas, ou seja, em pares de palavras, em que a substituição de uma unidade fonológica (um fonema) por outra altera o significado da palavra (por exemplo: parra e barra). Acontece o mesmo nas línguas de sinais, sendo que em vez de unidade fonológica, muda um pequeno aspecto do gesto (por exemplo, na LGP: método e liberdade).
  • Evolução e renovação: As línguas orais modificam-se, como no caso das palavras que caem em desuso, outras que são adquiridas, a fim de aumentar o vocabulário e ainda no caso da mudança de significado das palavras. O mesmo acontece nas línguas de sinais, a fim de responder às necessidades que a evolução socio-cultural impõe (por exemplo, na LGP, os seis gestos de "comboio", ou os gestos de "filme").
  • Aquisição:A aquisição de qualquer língua oral é natural, desde que haja um ambiente propício desde nascença. Na língua gestual acontece de igual forma, não tendo o indivíduo surdo que exercer esforço para aprender uma língua de sinais, ou necessidade de qualquer preparação especial.
  • Funções da linguagem: As línguas orais podem ser analisadas de acordo com as suas funções. O mesmo acontece com as línguas de sinais. As funções são: a função referencial,a emotiva, a conotativa, a fática, a metalinguística, e a poética.
  • Processamento: Embora usando modalidades de produção e percepção, as línguas orais e de sinais são processadas na mesma área cerebral.

Características próprias das línguas de sinais

Kyle e Woll apontam algumas propriedades exclusivas das línguas de sinais, tais como o uso de gestos simultâneos, o uso do espaço e a organização e ordem que daí resultam. Assim, as línguas de sinais possuem uma modalidade de produção motora (mãos, face e corpo) e uma modalidade de percepção visual.
Embora existam aspectos universais, pelos quais se regem todas as línguas de sinais, a comunicação gestual dos Surdos não é universal. As línguas de sinais, assim como as orais, pertencem às comunidades onde são usadas, tendo apresentando diferenças consideráveis entre as determinadas línguas.
As línguas de sinais não seguem a ordem e estrutura frásicas das línguas orais, assim o importante não é colocar um sinal atrás do outro, como se faz nas línguas orais (uma palavra após a outra). O importante em sinais é representar a informação, reconstruir o conteúdo visual da informação, pois os surdos lidam com memória visual. As línguas de sinais possuem sua gramática própria, assim como as línguas orais possuem as suas, sendo elas totalmente independentes.

Referências

  1. Jump up Para uma Gramática de Língua Gestual Portuguesa, pág. 54.


Cultura

Cultura em alemão pode se referir ao estritamente popular ou às manifestações artísticas mais relevantes da humanidade. No entanto, seu sentido original (agricultura) permanece em muitas línguas
Cultura (do latim colere, que significa cultivar) é um conceito de várias acepções, sendo a mais corrente a definição genérica formulada por Edward B. Tylor, segundo a qual cultura é “aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.1 Em Roma, na língua latina, seu antepassado etimológico tinha o sentido de “agricultura” (significado que a palavra mantém ainda hoje em determinados contextos), como empregado por Varrão, por exemplo.2 Cultura é também associada, comumente, a altas formas de manifestação artística e/ou técnica da humanidade, como a música erudita europeia (o termo alemão “Kultur” – cultura – se aproxima mais desta definição).3 Definições de cultura foram realizadas por Ralph Linton, Leslie White, Clifford Geertz, Franz Boas, Malinowski e outros cientistas sociais. Em um estudo aprofundado, Alfred Kroeber e Clyde Kluckhohn encontraram pelo menos 167 definições diferentes para o termo cultura.4
Por ter sido fortemente associada ao conceito de civilização no século XVIII, a cultura muitas vezes se confunde com noções de: desenvolvimento, educação, bons costumes, etiqueta e comportamentos de elite. Essa confusão entre cultura e civilização foi comum, sobretudo, na França e na Inglaterra dos séculos XVIII e XIX, onde cultura se referia a um ideal de elite.3 Ela possibilitou o surgimento da dicotomia (e, eventualmente, hierarquização) entre “cultura erudita” e “cultura popular”, melhor representada nos textos de Matthew Arnold, ainda fortemente presente no imaginário das sociedades ocidentais.5

Principais conceitos

Diversos sentidos da palavra variam consoante a aplicação em determinado ramo do conhecimento humano.
  • Agricultura – acepção original do termo cultura, que se refere ao cultivo da terra para produção de espécies vegetais úteis ao consumo do homem.2
  • Ciências sociais - Do ponto de vista das ciências sociais (isto é, da sociologia e da antropologia), sobretudo conforme a formulação de Tylor, a cultura é um conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais artificiais (isto é, não naturais ou biológicos) aprendidos de geração em geração por meio da vida em sociedade.6 Essa definição geral pode sofrer mudanças de acordo com a perspectiva teórica do sociólogo ou antropólogo em questão. De acordo com Ralph Linton, “como termo geral, cultura significa a herança social e total da Humanidade; como termo específico, uma cultura significa determinada variante da herança social. Assim, cultura, como um todo, compõe-se de grande número de culturas, cada uma das quais é característica de um certo grupo de indivíduos”7 Enquanto a definição de Tylor é muito genérica, podendo causar confusão quando se propõe uma reflexão mais aprofundada do que é cultura, outras definições são mais restritivas. Os autores debatem se o termo se refere mais corretamente a ideias (Boas, Malinowski, Linton), comportamentos (Kroeber) ou simbolização de comportamento, incluindo a cultura material (L. White).8 Vale lembrar que, em algumas concepções de cultura, o comportamento é apenas biológico, sendo a cultura a forma como esse conjunto de fatores biológicos se apresentam nas sociedades humanas. Em outras concepções (como onde cultura é entendida como conjunto de ideias), cultura exclui os registros materiais dos homens como tais da classificação (ex. um sofá ou uma mesa não seriam “cultura”) – posição fortemente criticada por White.
  • Filosofia - cultura é o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou comportamento natural. Por seu turno, em biologia uma cultura é normalmente uma criação especial de organismos (em geral microscópicos) para fins determinados (por exemplo: estudo de modos de vida bacterianos, estudos microecológicos, etc.). No dia-a-dia das sociedades civilizadas (especialmente a sociedade ocidental) e no vulgo costuma ser associada à aquisição de conhecimentos e práticas de vida reconhecidas como melhores, superiores, ou seja, erudição; este sentido normalmente se associa ao que é também descrito como "alta cultura", e é empregado apenas no singular (não existem culturas, apenas uma cultura ideal, à qual os homens indistintamente devem se enquadrar). Dentro do contexto da filosofia, a cultura é um conjunto de respostas para melhor satisfazer as necessidades e os desejos humanos. Cultura é informação, isto é, um conjunto de conhecimentos teóricos e práticos que se aprende e transmite aos contemporâneos e aos vindouros. A cultura é o resultado dos modos como os diversos grupos humanos foram resolvendo os seus problemas ao longo da história. Cultura é criação. O homem não só recebe a cultura dos seus antepassados como também cria elementos que a renovam. A cultura é um fator de humanização. O homem só se torna homem porque vive no seio de um grupo cultural. A cultura é um sistema de símbolos compartilhados com que se interpreta a realidade e que conferem sentido à vida dos seres humanos.
  • Antropologia - esta ciência entende a cultura como o totalidade de padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Segundo a definição pioneira de Edward Burnett Tylor, sob a etnologia (ciência relativa especificamente do estudo da cultura) a cultura seria "o complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, morais, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade". Portanto corresponde, neste último sentido, às formas de organização de um povo, seus costumes e tradições transmitidas de geração para geração que, a partir de uma vivência e tradição comum, se apresentam como a identidade desse povo.
O uso de abstração é uma característica do que é cultura: os elementos culturais só existem na mente das pessoas, em seus símbolos tais como padrões artísticos e mitos. Entretanto fala-se também em cultura material (por analogia a cultura simbólica) quando do estudo de produtos culturais concretos (obras de arte, escritos, ferramentas, etc.). Essa forma de cultura (material) é preservada no tempo com mais facilidade, uma vez que a cultura simbólica é extremamente frágil.
A principal característica da cultura é o chamado mecanismo adaptativo: a capacidade de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos, mais rápida do que uma possível evolução biológica. O homem não precisou, por exemplo, desenvolver longa pelagem e grossas camadas de gordura sob a pele para viver em ambientes mais frios – ele simplesmente adaptou-se com o uso de roupas, do fogo e de habitações. A evolução cultural é mais rápida do que a biológica. No entanto, ao rejeitar a evolução biológica, o homem torna-se dependente da cultura, pois esta age em substituição a elementos que constituiriam o ser humano; a falta de um destes elementos (por exemplo, a supressão de um aspecto da cultura) causaria o mesmo efeito de uma amputação ou defeito físico, talvez ainda pior.
Além disso a cultura é também um mecanismo cumulativo. As modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte, de modo que a cultura transforma-se perdendo e incorporando aspectos mais adequados à sobrevivência, reduzindo o esforço das novas gerações.
Um exemplo de vantagem obtida através da cultura é o desenvolvimento do cultivo do solo, a agricultura. Com ela o homem pôde ter maior controle sobre o fornecimento de alimentos, minimizando os efeitos de escassez de caça ou coleta. Também pôde abandonar o nomadismo; daí a fixação em aldeamentos, cidades e estados.
A agricultura também permitiu o crescimento populacional de maneira acentuada, que gerou novo problema: produzir alimento para uma população maior. Desenvolvimentos técnicos – facilitados pelo maior número de mentes pensantes – permitem que essa dificuldade seja superada, mas por sua vez induzem a um novo aumento da população; o aumento populacional é assim causa e consequência do avanço cultural .

Mudança Cultural

A cultura é dinâmica. Como mecanismo adaptativo e cumulativo, a cultura sofre mudanças. Traços se perdem, outros se adicionam, em velocidades distintas nas diferentes sociedades.
Dois mecanismos básicos permitem a mudança cultural: a invenção ou introdução de novos conceitos, e a difusão de conceitos a partir de outras culturas. Há também a descoberta, que é um tipo de mudança cultural originado pela revelação de algo desconhecido pela própria sociedade e que ela decide adotar.
A mudança acarreta normalmente em resistência. Visto que os aspectos da vida cultural estão ligados entre si, a alteração mínima de somente um deles pode ocasionar efeitos em todos os outros. Modificações na maneira de produzir podem, por exemplo, interferir na escolha de membros para o governo ou na aplicação de leis.
A resistência à mudança representa uma vantagem, no sentido de que somente modificações realmente proveitosas, e que sejam por isso inevitáveis, serão adotadas evitando o esforço da sociedade em adotar, e depois rejeitar um novo conceito.
O 'ambiente' exerce um papel fundamental sobre as mudanças culturais, embora não único: os homens mudam sua maneira de encarar o mundo tanto por contingências ambientais quanto por transformações da consciência social.

Cultura em animais

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De acordo com a definição de cultura de Tylor, o Chimpanzé é um primata que possui cultura.
É possível, na opinião de alguns cientistas, identificar uma "espécie de cultura" em alguns animais superiores, especialmente mamíferos (e dentro destes, especialmente primatas).
De acordo com Andrew Whiten, Kathy Schick e Nichobs Tolh, os chimpanzés possuem um rico repertório de ferramentas (clavas, perfuradores, etc.).9 A técnica de produção de ferramentas, além de sua forma de uso, é ensinada de geração em geração entre os chimpanzés. Algo semelhante ocorre com os primatas Bonobos.10 A existência da produção de cultura material e transmissão desta cultura socialmente é, dentro de algumas concepções de cultura, suficiente para afirmar que primatas possuem cultura. No entanto, percebem-se diferenças na forma como a cultura existe entre os primatas. É consenso entre os antropólogos que caracterizar culturas entre “superiores” e “inferiores” é uma impropriedade científica, já que não existem critérios objetivos para realizar esta diferenciação. Portanto, a diferença entre a cultura humana e a cultura dos primatas deve ser entendida em outros termos. A grande diferença, do ponto de vista antropológico, entre essas duas manifestações culturais, é que entre os primatas não ocorre o chamado efeito catraca, isto é, os primatas não somam inovações tecnológicas para produzir produtos tecnologicamente mais complexos. O processo de difusão da cultura entre primatas ainda está sendo estudado.11 Além da produção de ferramentas, os chimpanzés apresentam comportamentos diferentes conforme as sociedades estudadas. O famoso “grooming”, por exemplo, é diferente de sociedade para sociedade. É comprovado, também, que diferentes sociedades de chimpanzés apresentam formas de vocalização únicas às suas populações.12

Referências
  1. (LARAIA, Roque de Barros. Cultura. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006)
  2. a b dicionário etimológico.
  3. a b Norbert Elias. The Civilizing Process.
  4. Kroeber, A. L. and C. Kluckhohn, 1952. Culture: A Critical Review of Concepts and Definitions.
  5. Matthew Arnold (1869). Culture and Anarchy (em inglês).
  6. A. L. Kroeber. O Conceito de Cultura em Ciência. (1949)
  7. Ralph Linton. O Homem, uma introdução à Antropologia, São Paulo, 1943
  8. Leslie White, O conceito de cultura (1957)
  9. A Whiten, Kathy Schick, Nicholas Toth. "The evolution and cultural transmission of percussive technology: integrating evidence from paleoanthropology and primatology"; Journal of Human Evolution; 57:420-435.
  10. Andrew Whiten; "Primate social learning, traditions and culture"; The Evolution of Primate Societies; J Mitani, J Call, P Kappeler, R Palombit, J Silk (ed); Chicago University Press, Chicago, USA
  11. A Whiten; "Social learning in apes"; Encyclopedia of Animal Behaviour; M Breed, J Moore (ed); Elsevier Academic Press
  12. Clark Spencer Larsen. Acquiring resources and transmitting Knwoledge: got culture?.